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Posted: Wed Mar 19, 2008 10:22 am Post subject: Jornalista guineense Waldir Araújo lança "Admirável Dia |
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Guiné-Bissau/Cultura: Jornalista guineense Waldir Araújo lança "Admirável Diamante Bruto"
Lisboa, 14 Mar (Lusa) - O jornalista guineense Waldir Araújo lançou hoje a sua primeira obra, intitulada "Admirável Diamante Bruto", uma compilação de 14 contos sobre a forma como vê e revê o imaginário da Guiné-Bissau, de onde emigrou para Portugal em 1985.
A obra, lançada na casa Fernando Pessoa, em Lisboa, foi apresentada pelo poeta e jornalista guineense António Soares Lopes (Tony Tcheka) e é prefaciada pelo jovem escritor angolano Ondjaki, que salienta que "Admirável Diamante Bruto e Outros Contos", obra da Livro do Dia Editores, contém "um fino humor e uma séria ironia".
"A retratação social é bem conseguida porque não vai além dos limites da delicadeza e do espaço adequado ao tempo do que é contado. Os malandros refinados passeiam-se por Bissau ou por Lisboa e as cartas de amor fazem uma aparição certeira", sustenta Ondjaki sobre a escrita do autor que é jornalista desde 1996 e está na RDPÁfrica desde 2001.
"Parece-me que nasceu aqui um importante, simpático e arejado livro de contos", defende Ondjaki, destacando os contos em que surgem o "eloquente Admirável Diamante Bruto", nome profissional de um jogador de futebol que sonha em ser reconhecido em todo o mundo, a "requintada Domingas Adianga", o "temível Carlos Nhambréne", o "amoroso Mimito Adão" e o "galego Maurizio Santiago".
Em declarações à Agência Lusa, Waldir Araújo sublinhou que a sua escrita "vem da realidade" adjacente à Guiné-Bissau, onde qualquer história singular, afirma, "tem sempre algo de mágico e de fora do comum".
"Lembro-me de que cresci num meio rodeado de figuras que davam interessantes personagens de livros. Situações de vida que, com uma pequena dose de criatividade, tornam-se em ficções memoráveis. A realidade guineense é rica em fantasia e eu costumo apontar no meu caderninho situações aparentemente banais, nas quais trabalho depois", afirmou o autor, de 36 anos.
Para o autor, o livro foi também "uma forma de exorcizar as saudades" da sua terra, razão pela qual, enquanto se mantiver ausente, as matará através da escrita.
Natural de Bissau, onde nasceu a 14 de Julho de 1971, Waldir Araújo adiantou que a obra constitui "o primeiro exercício público de vários ensaios privados".
"Já escrevo há algum tempo, mas só agora avancei porque a escrita é algo muito sério, que requer muita dedicação e método. Quero dar esses primeiros passos humilde e seguramente, sem pressa, porque não tenho dúvidas que este livro é apenas o começo", acrescentou.
Segundo o autor, a primeira vez que veio para Portugal, onde viria a ficar, foi em 1985, graças a um prémio literário ganho num concurso organizado pelo Centro Cultural Português, em Bissau, com um texto sobre a História de Portugal.
Já em definitivo em Portugal, Waldir Araújo formou-se em Direito, não tendo posto de parte a actividade literária, publicando, de forma regular, prosas e poemas em sites culturais portugueses, brasileiros e africanos.
Em 2004, o Centro Nacional de Cultura português atribuiu-lhe uma bolsa de criação literária, o que lhe proporcionou uma investigação de vários meses junto da comunidade de os "Rabelados", na ilha de Santiago, em Cabo Verde.
"Um dos meus grandes desejos é conseguir apresentar este livro em Bissau, minha cidade natal. O Centro Cultural Português em Bissau garantiu já a promoção e apresentação da obra. Mas faltam outros apoios para tornar esse desejo possível", concluiu Waldir Araújo.
JSD.
Lusa/Fim
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Comentários de Waldir em jeito de resposta a um colega Jornalista:
Eu éscrevo há já alguns anos. Aliás, a primeira vez que vim a Portugal, foi graças a um prémio literário que ganhei no Centro Cultural Português, em Bissau, em 1985. Tratava-se de um texto literário sobre a história de Portugal.
A motivação para a escrita vem da realidade do meu país. Do meio onde cresci, onde qualquer história singular tem sempre algo de mágico, de fora de comum. Lembro-me que cresci num meio rodeado de figuras que davam interessantes personagens de livros. Situações de vida que, com uma pequena dose de criatividade, tornam-se em ficções memoráveis. A realidade guineense é rica em fantasia e eu costumo apontar no meu caderninho situações aparentemente banais nos quais trabalho depois.
Este é o primeiro exercício público de vários ensaios privados. Como disse já escrevo há algum tempo, mas só agora avancei porque a escrita é algo muito sério que requer muita dedicação e método. Quero dar esses primeiros passos humilde e seguramente, sem pressa, porque não tenho dúvidas que este livro é apenas o começo.
Um dos meus grandes desejos é conseguir apresentar este livro em Bissau, minha cidade natal. O Centro Cultural Português em Bissau garantiu já a promoção e apresentação da obra, faltam outros apoios para tornar esse desejo possível. Este livro é também umaforma de exorcisar as saudades da minha terra. Sei que voltarei um dia, enquanto issso não acontecer, matarei a saudade através da escrita.
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Abraços,
Waldir
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